Moto-rali dos Conquistadores fez festa gigante de Penafiel a Fafe

Passear de moto nos recantos mais bonitos dos vales do Sousa, Tâmega e Vizela, sobre mantos de folhas avermelhadas e bolotas, entre musgos e paredes graníticas. É uma boa tradição com que há bem mais de uma década o Moto Clube Conquistadores de Guimarães nos brinda, encerrando o troféu de moto-ralis turísticos da FMP. E que os participantes de todo o país retribuem com adesão em massa, aumentando a borga de ano para ano, já que o divertido grupo de organizadores, cada vez mais cénicos e teatrais, nos consegue sempre surpreender com a sua imaginação!

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E assim voltou a ser este ano, a 2 e 3 de novembro, entre os concelhos de Penafiel e Fafe, para nova gigantesca caravana de 121 equipas, num total de 182 participantes a que se juntava a colorida equipa organizativa, constantemente a mudar de trajes e disfarces, entre quintas produtoras de Vinho Verde, mecas de corridas motorizadas, monumentos da Rota do Românico e um festivo desfilar gastronómico e enólogo! E o tempo chuvoso e negro não convidava a sair de casa.

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Esta 6ª e última jornada do 23º Troféu BMW/Dunlop da tão turística e cultural modalidade obrigou a pormenores impensáveis há uns anos. Abriu o secretariado na 5ª feira, pôs as equipas a partir duas a duas na etapa de sábado e até três a três no domingo! Conseguiu ainda reunir mais de 100 almas aterrorizantes numa bem conseguida festa de Halloween na sexta-feira à noite. Onde o organizador do moto-rali de Coimbra acabou dentro de um caixão. E o evento dele até correu bem. Imaginem se tinha corrido mal…

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Com o tempo outonal “a ajudar à missa”, num sábado cinzento que aumentava a mística da ruralidade do Douro Litoral, a passeata começou de forma poética, num percurso rebuscado e delicioso na anfitriã freguesia de Abragão, sobranceira ao Tâmega. Foi quase uma hora entre veredas e quelhos de paralelo, terra e calçada, apertados entre muros de pedra posta ou boa cantaria de solares e quintas modestas, sobre folhas caídas e sob outras por cair. Fantástico. Um verdadeiro safari fotográfico se tivéssemos largueza para estacionar a moto.

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Num itinerário verdadeiramente a torto e a direito, era da mesma forma que se parava para provar mais um verde da região, graças à generosidade dos produtores que nos iam abrindo os portões das quintas, cada qual a mais imponente e hospitaleira. O trabalho dos Conquistadores é meritório e credível e os seus frutos vão-se saboreando.

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E se não era vinho, eram queijos, pão, enchidos, doces tradicionais… Chegou-se ao ponto de dois lanches matinais nem um quilómetro terem entre eles. As paragens prolongavam-se com a caravana feliz e em sinceros convívios pois à noite ainda havia participantes que se estavam a ver pela primeira vez no evento! As igrejas, torres e pontes medievais também se sucediam, justificando o tema do passeio. Vila Boa de Quires, Travanca, Vilar, Pombeiro, Arco, S. João e Travassos foram alguns monumentos vistos, atravessados ou visitados neste moto-rali, dos 58 que compõe a Rota do Românico.

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Destacamos a visita ao seu Centro de Interpretação, modernaço e eloquente, em Lousada. Boa surpresa! Por estradas nacionais ou municipais, ainda com bons pormenores e serpenteando sobre o Rio Sousa, o road-book levou-nos também por Felgueiras e Fafe, “Sala de Visitas do Minho” onde se jantaria e dormiria. Não sem uma “Wine Festival” antes, aperitivo do jantar que viria a premiar o MC Vale do Sousa e Paulo Anjos como clube e participantes mais assíduos do Troféu 2019, respetivamente.

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A “Justiça de Fafe” abriu a passeata de domingo, cujo ponto alto, na verdadeira aceção da palavra, foi o salto na Lameirinha, onde voam os pilotos do Rali de Portugal e sofrem os corredores da Volta a Portugal. No nosso moto-rali ninguém andou pelos ares. Ninguém se aventurou, mas que deu muito frio na barriga deu! Mas os estômagos aqueceram logo a 200 metros, numa pândega que muito bem recriou o ambiente dos entusiastas dos ralis. E mais algumas vezes até à hora do almoço. Uma delas na sede do fafense MC Asfalto Friends.

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E foi com este apoio contínuo de amigos, quintas, pastelarias, talhos, padarias e espaços de eventos que o Troféu finalizaria. Em festa, para não variar!

Zé Augusto e Júlia Carneiro e Manel e Margarida Fonseca, todos dos Conquistadores foram os mais atentos num MR quase sem jogos e perguntas surpresa pois era necessário não encanzinar a volumosa e compacta mole de participantes. João e Joana Vaz, dos Motards do Ocidente, completaram o pódio do evento.

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Já a nível geral e final, Vítor Olivença, do MC Albufeira, sagrou-se Bi-vencedor do Troféu, ele que após tantos anos a bater na trave, parece ter finalmente descoberto a fórmula de se ser o mais regular da época. Manuel e Margarida Fonseca, dos Conquistadores, ficaram em segundo lugar e o casal do MC Porto, os impagáveis Jorge “Xuxu” Andrade e Xana Pina, fecharam o trio vencedor.

Álbum fotográfico de António Costa:

Vamos aguardar para ver em 2020, cujo troféu está a ser preparado, com bons e culturais passeios de Norte ao Algarve.

FMP-Mototurismo