Pelo mundo aos comandos de uma mini-moto. Dois anos, 60 países e 80 mil km

Pelo mundo aos comandos de uma mini-moto. Dois anos, 60 países e 80 mil km

Há um motociclista português que em plena pandemia, está a dar a volta ao mundo numa moto que, originalmente, cabia na mala de um carro. A pandemia atrasou a partida, marcada para março, mas, agora, não há vírus que o trave.

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André Sousa partiu de Avis, no Alentejo, em meados de julho, e só deve regressar a Portugal lá para 2022, na melhor das hipóteses. O objetivo é atravessar e conhecer perto de 60 países e percorrer cerca de 80 mil quilómetros, numa aventura que inclui todos os continentes.

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Viaja sozinho, mas não solitário, numa moto mesmo muito pequena. A Honda “monkey” nasceu no Japão nos anos 60, como um brinquedo, mas rapidamente “saltou” para a estrada e, nos anos 70, transformou-se num verdadeiro ícone em duas rodas.

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Havia “todas as razões e mais uma” para isso. Uma delas era o facto de caber na mala de um carro. Recentemente, para assinalar o meio século do popular modelo, a marca lançou uma nova versão, aquela que André Sousa conduz, por este mundo fora.

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É ligeiramente mais alta do que a original, tem um motor de 125 cc, 4 velocidades e debita 9 cv de potência. Contando o peso da moto, do condutor e da bagagem, o total anda pelos 200 quilos, o que não lhe permite velocidades médias superiores a 50 ou 60 km/hora. Mas como diz o velho ditado, devagar se vai ao longe.

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“Saí da Suíça com mais dinheiro do que o que tinha quando entrei!”

Quando a TSF falou com André Sousa, o conta-quilómetros já marcava 11 mil kms, através de 20 países. Nesse dia, estava na Bulgária e tinha acabado uma volta ao país. Mais mil quilómetros em 3 dias, desafio de um grupo de amigos de Vespas, a mítica scooter italiana.

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Pelo meio, há já muitas histórias para contar, como a de um acidente grave, com um condutor que fugiu nos Alpes franceses. E um encontro inesquecível com os portugueses na Suíça.

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Estive 15 dias na Suíça e, em vez de gastar dinheiro, saí com mais do que o que tinha quando entrei!”. A comunidade portuguesa foi “incrível”, ajudou-o de todas as formas que pôde e os motociclistas até faziam coletas de dinheiro para o ajudar à viagem.

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Dinheiro, roupa, comida, dormida… Como fazer?

À partida de Avis, no Alentejo, a roupa que levava na bagagem resumia-se a seis camisolas, uma calça de ganga, um par de sapatos a mais e roupa interior. Mas, com a ajuda do patrocinador, lá se vai renovando. E a usada vai quase toda para o lixo.

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Para dormir, não falta a tenda, mas há muito quem ofereça a casa e uma manta quentinha. Portugueses, que os há por todo o lado; mas sobretudo gente das motos, dos moto-clubes que se multiplicam a cada país por onde passa. Há sempre alguém à espera. De tal forma que, apesar de viajar sozinho, não sobra tempo para se sentir solitário. Nem para ter saudades, garante.

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São momentos de partilha que nem a pandemia impede. André Sousa confessa que, com tanta gente com quem tem estado, acredita que já teve “contacto com o vírus”. Mas, numa viagem como esta, “é difícil” ser de outra forma. “Se tivesse os cuidados todos ao pormenor, não ia dormir em casa de ninguém, não ia estar em contacto com outras pessoas“.

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É bom estar “longe de casa”

As pessoas, as diferenças culturais, são o que motiva este motociclista português aventureiro. Na Europa, sente-se “em casa”, é tudo “muito parecido” com Portugal, mas, à medida que se afasta para Leste, que entra nos Balcãs, tudo começa a mudar.

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Na Bósnia – Herzegovina, por exemplo, ainda são muitos os sinais da guerra. “Muitos edifícios têm tiros, estão esburacados, (…) a parte muçulmana, o som das mesquitas, a comida….”. Ao contar dos quilómetros, André confessa-se “ansioso” por entrar na Turquia, no Irão, no Paquistão”, que ainda não conhece, mas onde espera “apaixonar-se mais”, por causa das diferenças culturais. “Sinto que já estou longe de casa, que é o que eu gosto“.

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Depois da Ásia, o jovem português e a sua mini-moto seguem para a Austrália. O transporte da moto entre continentes é um dos maiores desafios da viagem, porque envolve grandes custos, a rondar os 10 mil euros, sem contar com o condutor, e porque, em muitos países, é exigido um seguro próprio.

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Depois da Austrália, a viagem inclui as Américas do Sul, Central e do Norte, até ao Canadá. África será o último continente, antes de regressar a casa, nunca antes de 2022. Ou 2023, quem sabe!

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A viagem de André Sousa à volta do mundo pode ser seguida na rede social Facebook em “ride_that_monkey“.

TSF