A moto como meio de sobrevivência na pandemia

Muito se tem falado dos estafetas e das suas motos percorrendo a cidade para fazer todo tipo de entregas para pessoas confinadas e angustiadas em suas casas durante esta pandemia. Bens, como compras de farmácia, alimentos, entre outros, ficam sob a batuta dos guerreiros que trabalham em cima de uma moto, que seguem, com as suas grandes mochilas, de um lado para o outro, sem parar.

Por conta deste isolamento social e do fecho do comércio, o sistema de entregas através de plataformas digitais como a (UberEats e Glovo) ganhou ainda mais força, houve um grande aumento nas entregas feitas através das motos.

Ao Motorcycle Online, trabalhadores da UberEats e da Glovo contam como têm sido estas últimas semanas. Há vários outros serviços em Portugal a contratar mais pessoas para fazer face ao aumento da procura nesta altura de pandemia.

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Um dos grandes exemplos são as pastelarias e os restaurantes que aderiram em força ou reforçaram os seus serviços de entrega, contratando assim várias pessoas para que possam levar os seus produtos a casa dos clientes.

E com esta crise veio também a mudança. A Uber, por exemplo, com a pandemia decidiu fazer pequenas alterações ao seu serviço: a UberEats entrega produtos de conveniência, que não passem apenas pelas refeições.

No entanto, no caso da UberEats, o aumento de entregas não tem sido muito sentido. “Na verdade o movimento não é igual para todos os estafetas. Tenho alguns a trabalhar comigo e nem todos aumentam a faturação”, diz um funcionário da UberEats que prefere o anonimato. E explica as mudanças: “O que se está a passar é que as distâncias passaram a ser maiores e, como se ganha ao quilómetro, o rendimento é maior mesmo com menos entregas”, explica. “São maiores as distâncias, porque a maioria dos restaurantes estão fechados e a Uber aumentou o raio para se conseguir fazer um pedido”, acrescenta.

Questionado, Pedro Baptista, estafeta da UberEats e da ChefPanda refere que neste momento a empresa não tem estado a contratar, uma vez que já tinha vários trabalhadores. “Penso que durante muito tempo a Uber meteu muitas pessoas, mas a certa altura pararam porque já há muitas pessoas a trabalhar”. Mas considera que o aumento de entregas “foi é muito grande”. “Temos tido muito mais entregas, especialmente no ChefPanda”, explica. Esta última empresa não é uma aplicação como a UberEats ou a Glovo, mas também faz entregas.

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No lado da Glovo, a história repete-se: o número de encomendas registou um forte aumento. A garantia é dada ao MO por Eliel Almeida, estafeta da empresa. “Com muita restauração fechada e a operar em take away há um grande aumento nos pedidos. Principalmente na restauração, mas também nos pedidos de mercado, naquela opção que a Glovo tem que é ‘Qualquer coisa’”, garante o funcionário, que explica que o facto de as pessoas estarem em casa também faz com que os pedidos aumentem. “Há um aumento de pedidos para ir buscar vários tipos de coisas, porque as pessoas têm mais necessidade e não podem ou não querem sair para comprar, ou porque estão com medo ou porque são grupos de risco e convém que fiquem em casa”.

Nem a Glovo nem a Uber falam em números de trabalhadores ou entregas. No entanto, a Uber refere um aumento de restaurantes na lista da App, que soma agora mais de três mil restaurantes.